segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Criação do site oficial: participe!

Com intenção de captar recursos para a realização do SITE OFICIAL CAIO FERNANDO ABREU, a AACF inscreveu o projeto no Benfeitoria, uma plataforma de apoio colaborativo.




sábado, 3 de dezembro de 2011

Parceria com História Empresarial Consultoria

Christian Ordoque, da História Empresarial, é um SUPER PARCEIRO da AACF! Ele e sua equipe desenvolvem um importante trabalho de pesquisa de conteúdo audio visual e textual para o SITE OFICIAL CAIO FERNANDO ABREU.

Até o momento, foram encontrados 135 trabalhos acadêmicos, em 242 unidades de ensino superior, de 10 estados do Brasil. Esse material fará parte do acervo digital que será disponibilizado no SITE OFICIAL do Caio e a AACF quer deixar aqui o seu SUPER obrigado.

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Estados pesquisados: Sergipe, Tocantins, Santa Catarina, Rondônia,  Roraima, Paraíba,  Acre, Alagoas, Pernambuco e Amapá. Faltam os 7 grandes produtores acadêmicos do Brasil: RS, PR, MG, SP, RJ, ES e DF!

Você também pode colaborar e tornar esse projeto possível. Acesse: http://www.benfeitoria.com/caio!

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Espacio de amor

* Carta/crônica de Graciela Ferraris - Córdoba, Argentina (Diciembre de 2011)

Fuimos guiados por él, aprendimos a seguirlo, a leer en sus palabras el camino que nos fue marcando, a entrar en sus recónditos lugares del sentir en carne viva sin mezquindades, sin quitarle al dolor su cuota de humanidad, de sentirnos vivos, de sufrir y gozar y amar….

El espacio de la que fuera su casa quedó vacío de sus pertenencias, a solas con sus historias, con sus fantasmas, con el recuerdo de cada minuto, cada hora encerrada entre esas paredes y que nos fue contada a través de sus crónicas, sus últimas crónicas, sus últimos tránsitos por este mundo.

Lectores de Caio F. ¿cómo no sentirnos amigos, cómo no sentirlo cerca, cómo no querer estar ahí? En la primavera de 2010, llegados desde diferentes ciudades acudimos a la cita que, probablemente sentimos que Caio nos marcaba, y allí estuvimos, una tarde de diciembre reunidos alrededor de sus textos, reconociendo a los otros y reencontrándonos en viejas cartas, viajes y anécdotas. La idea que nos convocó fue crear un espacio de encuentro con su obra, una Casa de la Cultura Caio Fernando Abreu, el escritor amigo de quienes supieron leerlo… pero muchas veces sucede que la historia no tiene un final feliz sino aquel que le es asignado en este mundo de batallas diarias, infinitas. Por lo tanto la antigua casa del Barrio Menino Deus, donde Caio vivió junto a su familia, sus plantas y temores, había pasado a manos de otra gente, quizá desconocedora de lo que ese predio había significado para Caio y lo que significaba para todos nosotros.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Uma casa virtual para Caio F.

por Gisele Teixeira

A Associação Amigos do Caio Fernando Abreu (AACF) quer criar um site para divulgar o trabalho deste que é um dos escritores mais importantes da literatura brasileira.

No momento, há muitos textos de Caio circulando pela internet, mas em diferentes lugares e sem o devido cuidado. A ideia é que ele tenha uma casa, ainda que seja virtual.

Para isso, o grupo precisa juntar R$ 6 mil para pagar um programador visual e os gastos com atualização do espaço. O domínio www.caiofernandoabreu.com já foi comprado.

domingo, 6 de novembro de 2011

AACF na rádio POP Rock FM de Porto Alegre

A AACF foi divulgada, na última semana, em um dos programas de maior audiência da Rádio de Porto Alegre, o Cafezinho. Ele é um programa de bate-papo cultural e descontraído que acontece todos os dias em 2 edições: às 13h e às 17h, sendo líder de audiência no horário. Clique aqui para ouvir Mauro Borba e Arthur de Faria falando sobre a associação e sobre CaioF.

A AACF agradece a divulgação!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

AACF entrevista Fabiano de Souza

Todos nós somos um conjunto do que já vimos, ouvimos e sentimos, - uma coleção de referências. Com CaioF não foi diferente. Sua paixão pelo cinema transpareceu sutilmente pelas linhas de sua prosa. E alguém resolveu investigar: Fabiano de Souza, cineasta, assina o livro Caio Fernando Abreu e o Cinema: o eterno inquilino da sala escura. No livro, o cineasta e autor traça um panorama do repertório cinematográfico de Caio dentro de Morangos Mofados. 
Hoje foi o lançamento do livro e a AACF não perdeu a oportunidade: foi conversar com Fabiano. Confira!

AACF: Qual a sua relação com a obra do Caio?
FABIANO: Comecei a ler a obra do Caio, em 1991, justamente 20 anos atrás. Era um verão e eu tinha recém feito vestibular. Na estante da minha casa, encontrei o Morangos Mofados. Quando entrei na Publicidade, na FAMECOS, a professora de Semiótica, Eliana Antonini, pediu que a gente lesse Onde andará Dulce Veiga?. Dali, não parei mais. São vinte anos de convivência com a literatura, saboreando a linguagem, as tramas e a vontade de externar as dores do coração.

AACF: Como surgiu a ideia do livro?
FABIANO: Na hora de escolher um tema para o doutorado, andei por vários cantos - sempre pensando em analisar um diretor de cinema. Um dia me deu um estalo, eu poderia me debruçar sobre um escritor - e buscar as referências cinematográficas dele e, quem sabe, adaptá-lo para o cinema. Então, rapidamente pensei na obra de Caio - o trajeto pela sua literatura acabou sendo mais rico do que eu esperava; existe um repertório enorme de filmes citados e, aliado a isso, uma constelação estética preferida. Tudo isso me deu combustível para análise e para escrever um roteiro, que talvez um dia possa virar filme.

AACF: O que o leitor vai encontrar no livro?
FABIANO: O livro pretende apresentar uma multiplicidade de relações entre Caio Fernando Abreu e o cinema. A obra navega entre os filmes que fazem parte da "estante particular"  do escritor - suas preferências e particularidades -, passando pelas diversas formas com que a linguagem audiovisual contamina a sintaxe de Caio, chegando na investigação do significado que o ato de ver filmes tem para os seus personagens. Um segundo eixo é formado pela análise de filmes baseados na literatura de Caio Fernando Abreu, como Aqueles Dois, Onde Andará Dulce Veiga e Sargento Garcia. Sempre lembrando - como diz a penúltima frase do livro - : a relação entre Caio Fernando Abreu e o cinema está apenas começando.
"O encontro de Caio e Fabiano – meus dois amigos amantes de cinema - daria um filme. Ou uma tese de doutorado, que acabou virando este livro que você, provável leitor-amante-de-cinema, agora folheia. Brilhante, meticuloso,
profundo e abrangente, digno de seu autor. Folheie com cuidado, saboreie, sublinhe, aventure-se pelas notas de pé de página, leia e releia. É uma declaração de amor ao cinema através da obra de um amante de cinema. Que, não por acaso, nutria especial carinho por filmes de amor, acreditava em happy ends e adorava uma citação de outro amante do cinema, o genial Woody Allen em A Rosa Púrpura do Cairo.

'Encontrei o amor.
Ele não é real, mas, que se há de fazer?
A gente não pode ter tudo na vida...'
 
Amor é assim. Cinema também."
Marcos Breda sobre o livro.
Caio Fernando Abreu e o Cinema - O eterno inquilino da sala escura
Editora Sulina
R$ 37,0

Lançamento: Quarta-feira, (02/11) às 17h30min, na Sala dos Jacarandás no Memorial do Rio Grande do Sul, e em seguida às 19h30min no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mais CaioF na 57ª Feira do Livro de Porto Alegre



Fabiano de Souza, autor do livro Caio Fernando Abreu e o Cinema: o Eterno Inquilino da Sala Escura, estará amanhã, (quarta-feira, 2 de novembro) às 17h30min, na Sala dos Jacarandás no Memorial do Rio Grande do Sul, em um bate-papo com os cineastas Bruno Polidoro e Carlos Gerbase e com a escritora Amanda Costa.  Em seguida, às 19h30min o livro de Fabiano será lançado no Pavilhão de Autógrafos da Feira do Livro de Porto Alegre.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

AACF acompanhará Amanda Costa na Feira do Livro de Porto Alegre

Na próxima terça-feira (08), a AACF estará com Amanda Costa durante palestra sobre o livro 360 Graus - Inventário astrológico de Caio Fernando Abreu. Na ocasião será apresentado oficialmente o projeto de criação do SITE OFICIAL CAIO F.
O evento será transmitido ao vivo pelo twitter @associacaocaiof.
Fiquem ligados!

sábado, 29 de outubro de 2011

Caio traduzido

Crônica*

Tradutora Graciela Ferraris
Tradução que se preze tem que ser de alma. E quem lê as entrelinhas do Caio lá no país dos hermanos – a Argentina – atende por Graciela Ferraris, professora de letras na Universidade Nacional de Córdoba. Tradutora de literatura brasileira, já traduziu também Milton Hatoum e Vitor Ramil e a AACF foi lá, conhecer um pouco da vida da Graciela e encontrar o CaioF na vida dela.

Tudo começou com alguém no Brasil, amigo de um professor na Argentina que resolveu partilhar (ou presentear-lhe) o Caio. Em apesar de ser muito difícil encontrar obras do escritor no país, este professor, “numa tarde divina de outubro”, como ela mesma conta, em 2004 encontrou um único exemplar em uma livraria e não deixou passar: Fragmentos. “Leia e se gostar, escolha um conto e apresente-o à turma” - era a dedicatória que acompanhava.

E para quem lê de cara Aqueles Dois, ainda que em outro idioma, não consegue não se apaixonar. “Fui seduzida pela sua forma de escrever, o cuidado com que trabalha, a sutileza e a poesia dos seus textos; (ele) é um apaixonado pela palavra e isso é evidente”, conta ela. A tradutora se reconhecia e também à sua geração nos contos de Caio, já que os dois países atravessaram momentos históricos e políticos parecidos. Assim veio e vontade de fazê-los chegar ao hispânicos.

Graciela acredita ser possível encontrar alguma coisa da literatura contemporânea argentina nos textos do Caio. Segundo ela, em algum momento, ele escreve que sua escrita tinha mais a ver com esse sujeito que está “à deriva” no conto de Horacio Quiroga, que com a literatura de autores brasileiros que achava mais distantes. “Talvez porque estariam em contextos muito diferentes”, conta.

Caio nasceu em Santiago, RS, fronteira com a Argentina; ouviu boleros e tangos E cruzou cidades argentinas para visitar os avós. Era de se esperar que entrasse em contato com a literatura do país. “Em alguns dos contos do Caio, seus personagens tomam nomes usados por Cortázar e são mencionados, como Persio, de Pela Noite (1982), que disse ter escolhido tal nome da novela Los Premios, de Julio Cortázar. Em outros casos, a temática se relaciona com a obra do argentino, como é em A gravata, em que o objeto toma vida própria e se aproxima do pulover azul cortazariano de No se culpe a nadie”, diz a tradutora.

Caio brincava com música, fazia experimentações linguísticas, referências e homenagens sutis a amigos. E essa via não foi e nem é, portanto, de mão única. Uma literatura “assim tão apaixonante”, nas palavras de Graciela, não tem como não conquistar qualquer leitor.

O problema é quando se chega ao ponto de sentir a necessidade de abrir um livro que desperte interesse desses que te dão muito mais do que se pode escrever na superfície. “Depois de uma leitura ‘caiofernandiana’ o leitor sente um enorme prazer em ter se dedicado a lê-lo. E ler Caio significa também começar a conhecer outros aspectos de um Brasil que no geral nos chega através de um estereótipo, que cai em certos clichês lamentáveis porque deixam de fora uma cultura diversamente rica, próxima à nossa e ao mesmo tempo distante, porque é desconhecida.”


Em Córdoba, cidade da tradutora, a leitura “caiofernandiana” alcançou primeiro as leituras e o público acadêmico, só então as editoras. Graciela conta que, na Faculdade de Língua da Universidade de Córdoba, os estudos sobre ele começaram em 2005, na graduação, sendo transferidos e restritos à pós-graduação em 2010. Além disso, segundo ela, uma estudante de Cultura e Literatura Comparada, da mesma faculdade, prepara uma tese sobre o Caio.

Tal cenário mostra que faz realmente pouco tempo que a obra do Caio passou a ter visibilidade na Argentina. As primeiras traduções foram as compilações Pequenas Epifanías, em 2009 e Frutillas mohosas, em 2010; a novela ¿Dónde andará Dulce Veiga?, em 2009 e algumas antologias que incluem textos do autor, a partir de 2008.

São esses os primeiros passos de Caio na Argentina, que, segundo Graciela, é um fato de importância, vez que retrata a leitura ganhando asas em seu país, não mais restringida seja por questões de idioma, ou pela dificuldade em conseguir livros. E que Caio atravesse continentes!
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Pesquisadora em Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia e Humanidades – UNC, Graciela ministra aulas de português na Faculdade de Línguas da UNC, e na Faculdade de Filosofia e Humanidades da UNC. É membro do PROPALE – Programa de Promoção e Fomento da Leitura, da Faculdade de Filosofia e Humanidades da UNC. Tradutora de literatura no Brasil (Milton Hatoum, Caio F. Abreu, Vitor Ramil).

*colaboração: Laura Papa e edição de Pree Leonel

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Musical Rock Zona Contaminada se apresenta no Theatro XVIII


O espetáculo tem texto de Caio Fernando Abreu, músicas de Cazuza e volta a cena cultural baiana neste final de semana

Release*

Cenas que chocam, músicas de Cazuza, coreografias, referências literárias e uma atmosfera de tragédia futurista são alguns dos elementos que compõem o espetáculo Zona Contaminada, montagem da Arte Sintonia Companhia de Teatro.

O musical retrata um mundo devastado por uma grande peste que teria contaminado seus habitantes, exceto as irmãs Beth (Denise Correia) e Carmem (Lívia França). Elas passam a viver refugiadas para não serem encontradas pelo Poder Central, que é uma espécie de tirania invisível e controladora da vida dos habitantes - o que nos remete ao Grande Irmão, do livro 1984, de George Orwell.

Sua voz é Nostradamus Pereira (Gilson Garcia), personagem de aspecto grotesco e extravagante que faz intervenções inesperadas durante o espetáculo dando informes do Poder. A forma como Nostradamus atua parece fazer uma crítica metafórica ao sensacionalismo de alguns veículos de comunicação da atualidade e se revela como um dos elementos que dão bastante dinamismo à peça.

Em meio ao ambiente de catástrofe, reforçado por um cenário composto de pichações, TV’s quebradas, metais e caixões, desenvolvido por Hamilton Lima, Beth encontra um homem supostamente não contaminado, o Homem de Calmaritá (Leonardo Freitas), que lhe revela a existência de um lugar para além da zona contaminada. Símbolo de erotismo, força e virilidade, o Homem de Calmaritá protagoniza cenas que se destacam pela ousadia e capacidade de chocar o público, sem cair na vulgaridade.

Enquanto isso, Carmem se envolve com seu amigo imaginário, o Mister Nostálgio (Agamenon de Abreu), uma espécie de clown que, de forma lúdica, representa a personificação do que foi perdido com a grande contaminação, como romantismo, educação e amizade, e que a frágil personagem sente a falta. Mais uma vez um grande clássico da literatura internacional parece ter sido referência: Admirável Mundo Novo, livro de Aldous Huxley, que possui passagens onde alguns personagens passam a sentir falta de sentimentos que existiam em tempos remotos.

Mesmo sendo desenvolvida em um ambiente futurista, a peça consegue, por meio de suas metáforas, fazer contundentes críticas a perca de valores da sociedade em que vivemos hoje. Aspecto presente também na poesia das músicas de Cazuza, que são inseridas de forma intercalada com as cenas, interpretadas pelos atores, sob a direção musical de Paulinho de Oliveira, e aliadas às coreografias elaboradas por Sivaldo Tavares. À parte musical soma-se também a iluminação bem adequada por Elísio Lopes Jr. e os figurinos de Agamenon de Abreu e maquiagem dos atores feita por Roberto Lapllane, que renderam uma boa caracterização aos atores, ajudando a trazer o público para o mundo retratado pelo espetáculo.

Destaque – O espetáculo Zona Contaminada recebeu a indicação ao Prêmio Braskem de Teatro 2007 na categoria Melhor Atriz Coadjuvante para Lívia França e mais outras 5 indicações ao FIT – Festival Ipitanga de Teatro nas categorias melhor direção,  espetáculo, atriz, cenografia e iluminação, recebendo o prêmio de Melhor Atriz para Lívia França e Melhor Iluminação para Elísio Lopes Jr. 

SERVIÇO
Quando: 7 a 16 de outubro (Sexta, Sábado às 20h e Domingo 19h)
Onde: Theatro XVIII, Rua Frei Vicente, 18 – Pelourinho
Quanto: R$ 5,00

domingo, 2 de outubro de 2011

Coletivo de artistas lembra 15 anos da morte do escritor

O coletivo de artistas e técnicos em artes cênicas, Casa da Atriz, acaba de apresentar mais uma edição do projeto Leituras Dramáticas, nos dias 29 e 30 de setembro, em Belém. A missão do coletivo, dessa vez, foi a leitura do texto "Reunião de Família", uma adaptação teatral do escritor Caio Fernando Abreu para texto de Lya Luft.

A peça estreou no Clube da Cultura, em Porto Alegre, com direção de Luciano Alabarse. Aqui, ela é resultado de dois meses de estudo com o ator, diretor e dramaturgo Hudson Andrade, que contou ainda com o apoio do ator Leoci Medeiros, que faz a assistência de direção, do também escritor Carlos Correia Santos e da cantora Cacau Novais.

“Pareceu o momento ideal para trazer Caio ao público. Sou apaixonado por sua obra e desejava há muito compartilhá-la.” Justifica Hudson, coordenador da oficina e das leituras dramáticas da Casa da Atriz.

Leia mais aqui!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Marcos Breda faz leitura de crônica de Caio Fernando Abreu


"Paris: toda vez que chego a Paris tenho um ritual particular. Depois de dormir algumas horas, dou uma espanada no rodenirterceiromundista e vou até Notre-Dame. Acendo vela, rezo, fico olhando a catedral imensa no coração do Ocidente. Sempre penso em Joana d’Arc, heroína dos meus remotos 12 anos; no caminho de Santiago de Compostela, do qual Notre-Dame é o ponto de partida — e em minha mãe, professora de História que, entre tantas coisas mais, me ensinou essa paixão pelo mundo e pelo tempo.

Sempre acontecem coisas quando vou a Notre-Dame. Certa vez, encontrei um conhecido de Porto Alegre que não via pelo menos á2o anos. Outra, chegando de uma temporada penosa numa Londres congelada e aterrorizada por bombas do IRA, na época da Guerra do Golfo, tropecei numa greve de fome de curdos no jardim em frente. Na mais bonita dessas vezes, eu estava tristíssimo. Há meses não havia sol, ninguém mandava notícias de lugar algum, o dinheiro estava no fim, pessoas que eu considerava amigas tinham sido cruéis e desonestas. Pior que tudo, rondava um sentimento de desorientação. Aquela liberdade e falta de laços tão totais que tornam-se horríveis, e você pode então ir tanto para Botucatu quanto para Java, Budapeste ou Maputo — nada interessa. Viajante sofre muito: é o preço que se paga por querer ver “como um danado”,feito Pessoa. Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio.

Enrolado num capotão da Segunda Guerra, naquela tarde em Notre-Dame rezei, acendi vela, pensei coisas do passado, da fantasia e memória, depois saí a caminhar. Parei numa vitrina cheia de obras do conde Saint-Germain, me perdi pelos bulevares da le dela Cité. Então sentei num banco do Quai de Bourbon, de costas para o Sena, acendi um cigarro e olhei para a casa em frente, no outro lado da rua. Na fachada estragada pelo tempo lia-se numa placa: “II y a toujours quelque choe d’abient qui me tourmente” (Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta) — frase de uma carta escrita por Camilie Claudel a Rodín, em 1886. Daquela casa, dizia aplaca, Camille saíra direto para o hospício, onde permaneceu até a morte. Perdida de amor, de talento e de loucura.

Fazia frio, garoava fino sobre o Sena, daquelas garoas tão finas que mal chegam a molhar um cigarro. Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem. Tomei um Calvados, entrei numa galeria para ver os desenhos de Egon Schiele enquanto a frase de Camille assentava aos poucos na cabeça. Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede, faz parte. E atormenta.

Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente. Três anos depois fui parar em Saint-Nazaire, cidadezinha no estuário do rio Loire, fronteira sul da Bretanha. Lá, escrevi uma novela chamada Bem longe de Marienbad , homenagem mais à canção de Barbara que ao filme de Resnais. Uma tarde saí a caminhar procurando na mente uma epígrafe para o texto. Por “acaso”, fui dar na frente de um centro cultural chamado (oh!) Camille Claudel. Lembrei da agenda antiga, fui remexer papéis. E lá estava aquela frase que eu nem lembrava mais e era, sim, a epígrafe e síntese (quem sabe epitáfio, um dia) não só daquele texto, mas de todos os outros que escrevi até hoje. E do que não escrevi, mas vivi e vivo e viverei.

Pego o metrô, vou conferir. Continua lá, a placa na fachada da casa número 1 do Quai de Bourbon, no mesmo lugar. Quando um dia você vier a Paris, procure. E se não vier, para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo".

(O Estado de S. Paulo, 3/4/1994)


*Marcos Breda é ator, locutor, professor universitário, produtor teatral e foi muito amigo do nosso querido Caio Fernando Abreu.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Uma vida, uma obra - Exposição

No mês do aniversário do escritor Caio Fernando Abreu, não faltaram homenagens. O lançamento do Blog da Associação, o livro da escritora Amanda Costa (360 Graus - Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu) e uma belíssima exposição na Biblioteca Central da PUC do Rio Grande do Sul com parte do acervo do escritor e objetos pessoais.

Através da contribuição da História Empresarial a AACF teve acesso à exposição “Uma vida, uma obra” e compartilha com os admiradores de Caio F..
 

Como ele merece, a mostra ocupou lugar de destaque no salão. E claro: não só o Caio gente, mas algumas das suas várias facetas. De primeira, o escritor reconhecido: prêmios como o APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte estavam lá. O poeta: “Eu não escrevo poesia, tentei, mas não sou poeta. A poesia é linguagem demais elevada para mim.” Revelou-se que ele tentou. 116 escritos achados em seus diários e despertada uma vontade de folhear tudo... Mas só vontade!
 
Também havia o Caio cósmico, revelando que seus personagens eram dotados de muito mais que nomes e características físicas. Estudos de mapas astrais, runas e baralho de tarot mostravam que os astros tinham influência em sua vida.
A vertente do tradutor e do mundo seduzido: obras traduzidas, simbolizadas pela máquina de escrever, agendas, notebook, páginas datilografadas.
E por fim,  o lá de dentro: o escritor. Cadernos e mais cadernos, anotações, frases soltas, figuras. Trechos de textos já conhecidos. Fragmentos do que nunca foi publicado ou finalizado, mas ainda assim, o Caio F. que a gente (re)conhece.
E claro, fotos e mais fotos porque a gente não se cansa de vê-lo.

Pequenina, mas ainda assim, parte dele. Uma parte muito pessoal e extremamente importante. Afinal, nada mais singular que as anotações de próprio punho de um escritor. São uma parte da alma.

 
Ver essa preocupação e cuidado com a obra do Caio deixa a gente feliz. Também sabemos que isso pode ser maior. Mas em algum lugar tem que começar. Pode ter sido antes, é também aqui. Quem sabe termine na tela do seu computador. E melhor ainda é saber que existem mais pessoas torcendo e fazendo isso acontecer.


*Colaboração: Laura Papa

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PUCRS exibe acervo de Caio Fernando Abreu


O Delfos - Espaço de Documentação e Memória Cultural da Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS) recebeu novos originais para compor o acervo de Caio Fernando Abreu. A doação de cartas e dos datiloscritos do primeiro romance do escritor, Limite Branco, foi realizada por uma amiga de Caio, a carioca Vera Antoun.

Entre 1973 e 1975, ele escreveu para Vera cartas de diversos lugares do mundo onde se encontrava, ricas de relatos de experiências de vida. Nelas, homem e escritor confundem-se em uma unidade que mescla ficção e realidade , criação literária e projeto de vida.
Até 22 de setembro é possível visitar uma exposição sobre o autor, intitulada Uma vida, uma obra. A mostra está no saguão da Biblioteca Central, no prédio 16 do Campus (avenida Ipiranga, 6681 - Porto Alegre).

(fonte: PUCRS)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Amanda Costa fala sobre Caio Fernando Abreu

Astróloga conta para a #AACF sobre sua relação com Caio Fernando Abreu


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A escritora esteve no Lugar Maior (Felipe Camarão 224 - Porto Alegre/RS) autografando o livro e conversando com leitores do @twitter.
O livro 360 Graus - Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu pode ser encontrado nas maiores livrarias do país.

360º graus - Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu


                                           Fotos: Christian Ordoque

A astróloga, escritora e professora de literatura AMANDA COSTA (@amandacosmos) lançou, na última segunda-feira, dia 12, o livro 360 Graus – Inventário Astrológico de Caio Fernando Abreu, em que faz uma análise da obra do autor sob o ponto de vista da Astrologia. A obra é o fruto de sua dissertação de Mestrado em Literatura Brasileira (UFRGS), com um tratamento editorial, de forma a tornar este estudo acessível para segmentos fora da esfera acadêmica. 

360 Graus traz cartas inéditas e mapa astrológico de Caio e aborda novos aspectos da produção literária do escritor nascido em Santiago do Boqueirão (RS). Amanda analisa e interpreta a hermenêutica simbólica em Triângulo das águas (1983) – sexto livro de Caio -, buscando elucidar os sentidos evocados pelas imagens arquetípicas ligadas à tradição da Astrologia presentes nos textos, com o objetivo de ampliar a sua compreensão. Ainda, a partir da revisão da obra completa de Caio – romances, contos, crônicas, peças teatrais –, a autora identifica os traços do simbolismo astrológico, sua vinculação com a mitologia e as conotações psicológicas e existenciais.

Com design de Clô Barcellos e edição da Libretos, a publicação tem financiamento do Fumproarte. É também resultado de uma união afetiva de amigos que conheceram o escritor de perto: além de Amanda, Sandra La Porta (que fez as fotos de capa), Dulce Helfer (as fotos internas) e Luís Augusto Fischer (autor da orelha).

O título 360 Graus é uma referência ao nome que Caio daria a um projeto que estava desenvolvendo, mas não teve tempo de vida para concluir. O autor trataria a temática de todos os signos zodiacais, organizados pela trilogia dos quatro elementos, em quatro volumes.

"Foi um evento muito bem organizado em um espaço aconchegante e bonito no Bairro Bomfim. Uma belíssima ambientação com fotos e vídeos do Caio auxiliava a criar um clima de amizade. Existia no ar uma cumplicidade entre as pessoas que foram prestigiar o lançamento do livro e que conhecem a obra dele. O lançamento do livro foi no dia do seu aniversário e sem dúvida ele estava presente". Comentou
Christian Ordoque, parceiro da #AACF no projeto de realização do SITE OFICIAL CAIO FERNANDO ABREU.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

As frangas do CaioF

A coleção de frangas do CaioF foi destinada, como herança, para seu sobrinho Luis Abreu.

A AACF foi até lá para conferir!

Clique na foto para aumentá-la

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Bem vindo!

A AACF convoca amigos e leitores do Caio Fernando Abreu para colaborarem com a realização do Site Oficial do escritor. Estamos reunindo forças com intenção de preservar, organizar e divulgar a obra e a biografia do CaioF.

Participe você também!

Todo mundo merece ler Caio Fernando Abreu

A Associação Amigos do Caio Fernando Abreu - AACF tem como objetivo principal preservar, organizar e divulgar a obra e a biografia do escritor. Leitores, amigos e familiares estão unindo forças para homenageá-lo em um projeto que dará direito às pessoas conhecerem um pouco mais sobre a vida e obra dele - e qualquer um pode construir isso com a gente, basta chegar!

Em um primeiro momento, a AACF iniciou o projeto de construção de um Centro Cultural na casa onde ele viveu com a família, no Bairro Menino Deus, em Porto Alegre. Infelizmente, a casa foi vendida antes da finalização do projeto, porém a ideia continuou existindo. Agora, a Associação idealiza a criação de um SITE OFICIAL CAIO FERNANADO ABREU.

Todo o trabalho em volta do projeto é voluntário, e grande parte dos membros são admiradores de sua obra. Associe-se também e torne esse projeto possível! Todo mundo merece ler CaioF.

Martha Medeiros lê carta inédita do CaioF